• Larissa Queiroz

Dor, amor e paciência: vamos falar sobre o puerpério

Há uma imensidão de textos sobre puerpério pela internet. Nós podemos ter uma ideia de como é, mas cada mulher/mãe vai perceber o seu e aprender como lidar.


Por definição, o puerpério é o “período que decorre desde o parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem às condições anteriores à gestação.” Não há um limite de tempo para que este processo aconteça. Para algumas mulheres duram 3 meses, para outras 6, para outras, 1 ano. Não são só as condições físicas que levamos em conta quando pensamos em puerpério. Para que as milhões de alterações hormonais que vivemos durante a gestação e o parto voltem a se estabilizar, pode levar muito tempo.


Eu estou passando pelo meu segundo puerpério e está sendo completamente diferente do primeiro. Há que se considerar para além da minha idade, já que 8 anos separam estes dois momentos, aspectos sociais e psicológicos nos quais me encontro agora.


Descobri que o puerpério de uma mãe solo contemporânea é uma montanha-russa com incontáveis curvas. Nestes dois meses do nascimento do Benjamim, ao mesmo tempo em que eu acho que dou conta de tudo, alguns dias já caí no choro desesperado de quem acha que não está dando conta de nada. Todo o sentimento de força e empoderamento que ainda reverbera pelo meu corpo e mente desde o trabalho de parto, às vezes se transforma em dor e impotência quando não consigo fazer uma refeição decente, quando não consigo entregar um trabalho ou tomar um banho no dia.


Cuidar de 2 crianças com necessidades distintas, da casa e trabalhar ao mesmo tempo está sendo um dos desafios mais cabeludos da minha vida. Mas não adianta achar que é possível ou normal fazer isso. Não é. É humanamente impossível, não interessa o quão moderna, forte e feminista você seja.


Agora é a hora de renunciar ao orgulho e exercitar a humildade sim, pedir ajuda e fortalecer a rede de apoio, se ela existir. Se ainda não existe, é hora de pensar nas alternativas que temos em mãos para que ela se forme, minimamente. Companheiro, vizinhas, tias, amigas, mães, sogras, cunhadas. Quem pode te assistir em algumas tarefas, que seja?


Eu entendo que para mulheres que são carretas desgovernadas como eu, esse é um dos períodos mais difíceis, porque temos que assumir as nossas fragilidades, abraçá-las com vontade e readaptar às nossas expectativas, principalmente quanto a nós mesmas.


O puerpério para a Larissa é isso: dor de se reconhecer vulnerável, amor pela mulher que continua se transformando e paciência para lidar com essa fase.


Espero que você descubra e viva o seu com muito amor também.