• Marina Zaneti

Todo dia

“Enquanto arrumava a casa, bateram à porta. Eu estava sozinha e não aguardava ninguém que fosse chegar, então achei estranho. Olhei pelo olho mágico e era um homem que eu não conhecia. Fiquei estática, não sabia se o deixaria entrar, se fingia não ter ninguém em casa. Havia sido demitida do meu trabalho há 2 dias, sem muitas explicações, após término de um período de experiência. Soube que colocaram um homem no meu lugar, ele devia ser mais qualificado, não sei. Fiquei sem chão, pois precisava sustentar a mim e meu filho, já que somos sozinhos e o pai não pagava a pensão. A vida não é justa conosco, sinto falta de quando eu era jovem e imaginava um mundo completamente diferente. Planejava lutar por meus direitos e esperava conhecer as “pessoas certas” para compartilhar a vida. Não foi o que aconteceu…”


Assim como Maria, diversas mulheres vivenciam diariamente o sentimento de vulnerabilidade e ameaça, são demitidas de seus empregos, são violentadas por seus parceiros, marginalizadas, julgadas em suas escolhas, assediadas gratuitamente. Desde o início da quarentena, em março de 2020, o Brasil registrou 497 casos de feminicídios. Se falarmos sobre as mulheres trans, ficamos ainda mais assustados frente à transfobia que assola nosso país. Em 2020, de janeiro até setembro, 129 mulheres trans e travestis foram assassinadas no Brasil.


Todo dia é dia da mulher. Todo dia é dia de nos olharmos, nos acolhermos e nos protegermos. Todo dia é dia para exercermos a sororidade.


Dia 8 de Março é comemorado o “Dia Internacional da Mulher”, desde 1975. Comemoração esta que deveria ser substituída por uma reflexão sobre o que já foi conquistado pelas mulheres e sobre o que ainda falta ser conquistado. Unir, modificar, transformar.