• Debora Mello

Ser mãe é ser revolucionária

Quem decide o que é ser uma boa mãe? Como se mede? Como se calcula? Quando se chega lá? Como se chega lá? Aonde é esse lugar? Como sabemos se chegamos? Qual a data que receberei minha carteirinha de boa mãe?


Esse lugar utópico deveria ser extinto, pois ele permite que a culpa não deixe o caminho mais leve (não que ser mãe seja um caminho leve), diria até que a culpa é a melhor amiga de uma mãe, essas duas palavras andam tão juntas que quase se faz uma fusão.


Para ocupar o lugar de boa mãe, precisa-se anular qualquer imagem de mulher, de ser humano que tem desejos, sonhos, vontades, defeitos e qualquer outra característica humana.


Criamos o futuro e não somos olhadas por essa perspectiva, nos colocam em um lugar extremamente desconfortável, de incapacidade, de julgamento. Qual mãe nunca recebeu aquela pergunta numa entrevista de emprego 'mas e seu filhe fica com quem?' ou até já se antecipou e justificou que seu filhe não seria um problema para a empresa. Essa estrutura de boa mãe já não cabe mais, essa imagem está piegas, careta e segue sendo utópica.


Não existe ser boa mãe, existe ser mãe que erra tentando acertar, que respeita seus limites, que olha no fundo dos olhos daquele outro ser humano e ama, sem precisar de mais nada.


Somos as maiores revolucionárias da história, somos ancestrais de um futuro não tão distante, nosso lugar é de resistência, afeto, de MATERNIDADES, somos fortes, somos fracas, somos tantas, somos mães!