• Luna Nakano

Redes Sociais

No meu último texto, escrevi sobre como o capacitismo me atingiu. Dessa vez quero deixar as coisas mais leves, inclusive para mim mesma. Embora haja vontade de escrever algo para extravasar a raiva que sinto do atual governo. Mas vamos seguir em paz, até onde der.


Durante os anos que passei em isolamento - não me refiro ao período de pandemia, pois sabemos que para pessoas com deficiência estar em isolamento é um fato corriqueiro - meu sentimento era de não pertencimento, eu não me sentia “incluível” em qualquer lugar, ou até mesmo em grupos de amigos. As redes sociais me serviam de refúgio e assistir a filmes e séries on-line era o meu escape da realidade. Entretanto, demorei um pouco para entender que a internet e as redes sociais seriam úteis no meu processo de aceitação.


Sempre gostei de estar conectada, afinal é boa a sensação de estar “próximo”, acompanhar o crescimento daquele priminho, ou ver sua amiga gestando. É possível conversar e matar um pouquinho a saudade, mesmo estando do outro lado do planeta. Mas ao mesmo tempo em que há essa aproximação, há também um afastamento, isso vai nos isolando cada vez mais, e nos torna seres antissociais.


Fato é que eu nunca fui boa nos relacionamentos interpessoais, não tenho uma melhor amiga de infância da época da escola, além da minha irmã que sempre está por perto, não trouxe comigo ninguém daquela época. Na escola eu era a pessoa que falava com todo mundo, eu era a menina legal e quietinha, interagia com todo mundo, mas nunca me senti parte de lugar nenhum, não me apeguei a ninguém, acredito que ainda carrego em mim uma pitadinha desse desapego.


Recentemente, comecei a descobrir um mundo novo, pouco antes da pandemia conheci minhas melhores amigas, pessoas com as quais tenho muita afinidade e que confio demais, e pasmem, nunca nos vimos pessoalmente (maldita covid!). Mais ou menos nesse mesmo período, achei a Camila de Luca, minha chefe aqui do Portal, ela estava divulgando seu canal no Youtube em um desses grupos de empoderamento feminino das redes sociais. Achei incrível ver alguém como eu, cadeirante, até então não tinha pensado em procurar nenhuma rede de apoio, pensei: quero ser amiga dessa mulher!


E assim parece que as coisas foram fluindo, aprendi muito com a Camila, e aos poucos fui encontrando mais e mais pessoas com deficiência, não só cadeirantes, pode ser que os algoritmos entenderam o que eu estava buscando e começaram a me ajudar. A diversidade é tanta, e há tanta coisa a se aprender, posso dizer que esse foi o ano em que eu mais evoluí como ser humano. Confesso que fiquei deslumbrada vendo tantos ativistas, tanta gente querendo o mesmo que eu, finalmente me senti acolhida. Me senti pertencente a um lugar. Porque achei REPRESENTATIVIDADE.


Com toda essa euforia, que já não cabia mais em mim, resolvi compartilhar tudo que eu estava/estou aprendendo. Hoje meu perfil nas redes sociais serve para lutar contra o capacitismo e espalhar informação. Além disso, aprendi mais um monte de coisas para poder criar conteúdo, desde a edição de vídeos, até perder a vergonha das câmeras para poder falar com os seguidores através dos stories.


Espero, sinceramente, que minha mensagem esteja chegando aonde precisa chegar. Meus antigos amigos continuam meus amigos, só que agora eles podem ver quem sou eu de verdade. Essa rede continua crescendo, e apesar do caos lá fora, eu tenho motivos para agradecer, pois achei meu lugar.