• Bárbara Barbosa

Racismo estrutural, um exemplo

Olá a todes! Espero que estejam bem e ansiando a queda do B8ls0n@zi! A ideia para a coluna desse mês era trazer algumas personalidades pretas e suas biografias para que a gente conhecesse e pudesse enegrecer nossa história. MAS... Como sempre em algum supermercado tem seguranças treinados para, se não humilhar, matar pessoas pretas, vamos falar sobre o caso do Sr. Luiz Carlos da Silva que foi abordado por seguranças e equipe de apoio no Assaí de Limeira. Sr. Luiz Carlos, homem preto de 56 anos, metalúrgico, foi ao supermercado para conferir preços de produtos, mas foi abordado por dois seguranças que desconfiaram que ele estava furtando itens e colocando debaixo da roupa. Abaixo, o relato do Sr. Luiz (tente não chorar com ele): “Abri a blusa e ele falou: ‘dá para levantar a camiseta?’, e eu falei que dava, levantei a camiseta e ficaram olhando um para o outro. Se eles começassem a falar antes daquilo que eu mostrei para eles ‘me desculpa, você pode ir embora’, mas começaram a olhar um para outro com aquela desconfiança”. Ele disse que ficou muito nervoso, foi tirando as outras peças de roupa até ficar só de cueca, e todos os itens do seu bolso para dar fim às suspeitas. Na gravação aparece esse senhor dizendo entre lágrimas: “Eu roubei alguma coisa nessa loja, caramba?! Eu vim aqui para comprar alguma coisa e me chamam de ladrão! Olha aqui (aponta para seus pertences e roupas no chão), tem alguma coisa aqui!?”. Ele gritava essas palavras enquanto se via cercado de funcionários do atacadista. O Assaí escreveu um pedido de desculpas, demitiu o funcionário e disse que precisa reforçar os processos de abordagem internamente. Por mim, só posso dizer ao Sr. Luiz que sinto muito e compartilho da tristeza e revolta que ele sentiu. Já passei por situações constrangedoras em diversos locais. Na última, fui comprar frutas num mercado próximo ao meu trabalho e percebi que, desde a minha entrada, um segurança me seguia por TODOS OS CORREDORES. Irritada, perguntei a ele se ele estava ali pra ajudar a segurar os itens (1 bandeja de morangos e 1 pote de mamão cortado). Pelos corredores, eu estava procurando mel. Ele, sem graça, respondeu que não e eu devolvi dizendo que ele poderia parar de andar atrás de mim porque eu conseguia me virar sozinha. Desisti de procurar/comprar o mel, me dirigi ao caixa, paguei e fui embora. Depois disso, não voltei mais lá. E farei o possível pra não voltar nunca mais. Pretes, além de tudo, em estabelecimentos racistas, não comprem mais do que precisam pra provar que podem pagar. Não gastem seu dinheiro em ambientes que os hostilizam. Vocês não precisam provar nada a ninguém e MUITO MENOS enriquecer mais ainda quem te trata de qualquer jeito. Pensem nisso!