• Tinha que ser mulher

Querido diário...


“Querido Diário,


Estou exausta! Empreender, definitivamente não é para os fracos!


Uma empresa estruturada conta com profissionais distintos para cada área: financeiro, marketing, comercial, limpeza… dá pra imaginar o que é ser mulher, mãe solo, empreendedora (por empreendedora leia todos os perfis da empresa estruturada citados acima), militante e ainda ter inteligência emocional para lidar com tudo isso, ainda por cima no Brasil?


A regra geral que querem que a gente acredite é: acorde às 5h da manhã, não tenha vida social, trabalhe pelos resultados financeiros e nunca, jamais, se pergunte se você realmente gosta do que faz. Após muitas noites insones, distanciamento dos amigos e muita terapia, talvez você consiga 15 dias inteiros de férias naquele lugar mediano que sempre desejou.


Eu sei, eu sei. Parece desanimador. E olha que nem comentei dos custos, da enorme competição, sabotadores e tecnologia que muda tão rápido que é difícil acompanhar”.


É, querido leitor, se você empreende é possível que, até aqui, já tenha se identificado ou dado aquele nó no estômago por ter alguns dos seus desafios pontuados. Se você é homem, preciso te avisar que se você sente que tem que produzir o tempo todo, acima da média, para nós mulheres é um tanto pior.


Bem, com toda certeza eu não estou aqui para pessimismo. Diante do cenário pandêmico em que vivemos, muitos brasileiros encontraram a saída para a sobrevivência no empreendedorismo.


Embora nosso país seja extremamente burocrático e com pouco incentivo para os pequenos negócios, tenho orgulho de saber que somos criativos, diversos e inovadores por natureza. Com mais apoio, incentivo, conhecimento e disciplina é possível que a gente consiga ter mais sucesso nos negócios e podemos fazer isso juntos.


A notícia boa é que você não está sozinho. Nem eu. E essa coluna pode ser um espaço interessante para você. Mas antes, vamos às apresentações…


Eu sou a Carol Salgado (mas sou um doce de pessoa, prometo), me considero muito criativa, direcionada às soluções, mãe solo do João e do Miguel, gêmeos de 8 anos, canto sempre que posso e amo a natureza. Agora que você já sabe um pouco de quem eu sou, já posso dizer o que eu faço.


Sou profissional de marketing, publicitária, especialista em marketing digital e mídias sociais. Já fui instrutora de auto escola, vendedora (inclusive de Avon), participei de empresas de marketing multinível, gerente de clínica, secretária… meu currículo é grande e diversificado, o que não é muito valorizado em nosso país. Mas eu confesso que em cada um deles aprendi algo interessante para usar na vida de empreendedora.


As minhas graduações e pós vieram depois que os meninos (meus filhos) nasceram. A maternidade é incrível para te colocar no foco. Acredito que a veia empreendedora é algo que tenho toda a vida, mas comecei a empreender de verdade pela necessidade e, principalmente, pela dificuldade de conciliar horários do trabalho CLT, filhos, casa, estudos e previsão do tempo. Mas, acima de tudo, porque meus valores começaram a gritar tão forte em meu ouvido que a famosa depressão me pegou antes que eu tivesse coragem de deixar o meu trabalho e me obrigou a tomar decisões difíceis que eu estava adiando.


Falando em valores, eu comecei a estudar e perceber os meus. O que me motivava? O que eu realmente sou boa em fazer? Assim surgiu o Tinha que Ser Mulher, que nomeia essa coluna e quero falar um pouco sobre isso.


O Tinha que Ser Mulher surgiu como um movimento, um hub de acolhimento e negócios para mulheres. Somos uma comunidade com valores claros e fortes e que, em 2021, cresce como negócio. Essa coluna vai ser escrita de forma coletiva, pelas Sementes do nosso jardim.


Serão diferentes textos, dessas mulheres que fazem parte da comunidade, e que sentem desafios igualmente diferentes no ramo do empreendedorismo. Cada texto, uma nova abordagem.


Então SIM, vamos falar de dificuldades, mas também de como conseguimos soluções para os desafios que enfrentamos. Nosso objetivo é de troca de soluções para problemas similares. A cada mês, você vai conhecer uma empreendedora diferente e como ela consegue superar as dificuldades.


E aí? Vamos juntes?