• Bella Neto

Para que a gente não esqueça!

Precisamos lembrar sempre o que foi 31 de março para nós brasileiros, o que essa data significa. Eu nasci já muito perto da retomada da democracia no país, passei minha adolescência durante governos progressistas, e sempre ficavam perguntas na minha cabeça: onde minha família estava no período da ditadura? Como estavam vivendo? O mundo estava acabando, como era possível não estarem em luta? Esses sempre foram questionamentos que me perseguiram.


Hoje, acredito que eu tenha a resposta. Minha família, como tantas e tantas outras, estava tentando sobreviver! Tenho 33 anos e essa crise é a primeira que vivo, que sinto na pele o aumento dos preços, a desvalorização da educação, o negacionismo e as fakes news que, apesar de ter um nome mais moderno, não foi o Facebook e o Whatsapp que inventaram essa tática que usa notícias falsas para manipular a população. A ditadura militar fez isso durante todos os anos que se manteve no poder.


Vejo atualmente que sobreviver era o que minha família poderia fazer, meu avô chamava esse período de “democratura” enquanto o meu outro avô era militar. A história nos ensina muita coisa, mas se a gente não aprende, ela nos coloca em situações semelhantes, e aqui estamos, com um governo estruturado em mentiras, com uma base militar, com discursos de ódio e com a morte como sua principal estratégia para se manter no poder.


Estamos todos tentando sobreviver, seja pra não morrer de fome, seja pra não morrer de vírus, seja pra não morrer de bala (se você e sua família mora em alguma favela desse país), seja pra não morrerem suas tradições (caso você e sua família faça parte das comunidades dos povos originários ou quilombolas), estamos todos tentando sobreviver e vendo a morte passar pelos nossos olhos todos os dias.


31 de março é uma data para ser lembrada sim, mas para que a gente nunca esqueça do horror que foram os anos de violência, morte, medo constante, um medo que as favelas sentem até hoje, medo inerente à própria existência, precisamos entender que não é normal viver com medo, não é normal naturalizar a morte.


Que a cada ano nossa força esteja maior para não desistirmos da luta por um mundo onde a vida (humana ou não) seja respeitada, contemplada e valorizada, que o medo que minha mãe ou a minha vó sentiam quando meu avô “brincava” com a palavra democratura, ninguém mais sinta.


Nossa luta se faz em todos os nossos espaços, por isso peço, não desista! Estamos todos em uma incansável tentativa de seguirmos em frente, em luta por um mundo onde o povo não sinta medo!


Ditadura nunca mais! Para que a gente não esqueça, para que nunca mais aconteça!


Sejamos gentis e Tenhamos Coragem!