• Ivana Brazil

O Filho Eterno

om, vou partir de uma reflexão que não está fielmente no meu lugar de fala. Não sou mãe da Cintia, pessoa com Síndrome de Down, sou irmã. Mas como mãe consigo perceber o quanto é confuso e difícil ser mãe de primeira viagem de um filho com deficiência, porque muitas vezes é confuso e difícil ser mãe de primeira viagem.

Assisti ao filme O filho eterno, inclusive está na Netflix para quem se interessar. Conta a história de um casal dos anos 80 à espera de seu primeiro filho e esse filho nasce com Síndrome de Down. A narrativa do filme é feita toda sob o olhar do pai. O filme é baseado no romance homônimo de Cristóvão Tezza que é praticamente um desabafo em primeira pessoa sobre os desafios de ser pai de uma criança com Síndrome de Down.

Os conflitos de um pai que não sabe lidar com aquele “tipo” de paternidade e alegando o tempo todo voltar à sua vida NORMAL. Estamos falando de um filho com deficiência e que certamente gera muito mais angústia para os pais principalmente quando se pensa em como criar, como fazer e o que esperar, ainda mais em um mundo estruturado para não receber e aceitar o diferente.

A responsabilidade de ser mãe e pai vai muito além. O que eu quero trazer aqui de reflexão é que as relações entre casais muitas vezes são abaladas com nascimentos de filhos simplesmente porque gera mais comprometimento, gera outro entendimento de liberdade e naturalmente gera muitos conflitos. Não é fácil. Fui mãe de primeira viagem de Gêmeos, sem preparo algum, foi muito difícil. Muitas vezes me identifiquei naquele filme com esse sentimento em relação ao casal que tem seu primeiro filho. Outros momentos me identifiquei como irmã de uma pessoa com Síndrome de Down que, apesar de ter nascido nos anos 90, viveu situações semelhantes ao que se mostrou no filme. E hoje em dia, mesmo com os avanços, ainda lidamos com muitas resistências.

A prova dessa resistência é não se conhecer e nem se falar muito sobre filmografias de pessoas com deficiência. O cinema, além de estética, imagem e entretenimento, é também feito para gerar reflexão sob outros olhares. O cinema por sua vez pode ser uma fonte de informação através da ficção. Pode nos proporcionar algo mais profundo e inquietante do que algo sutil e raso. Consumir esse tipo de tema ainda está relacionado a um grupo pequeno. A maioria, por sua vez, diz não fazer parte, mas fala muito bem sobre empatia.


Referência:

https://www.adorocinema.com/filmes/filme-246159/

Filme: O Filho Eterno, 2016


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https://www.portalacesse.com/filmes-sindrome-de-down/