• Bella Neto

Isabella, filha da Ana do Adão do Vicentão

Antes de qualquer coisa, quero me apresentar, antes de ir direto ao ponto, antes de pegar pesado aqui, quero que nossa conversa seja realmente uma conversa, que a gente possa desenvolver uma intimidade, um vínculo real, um dia talvez uma amizade, um dia talvez a gente possa até se conhecer realmente, mas pra isso, o primeiro passo é te contar quem eu sou.


Sou Isabella, (na minha cidade eu diria: Isabella, filha da Ana do Adão do Vicentão, prima da Talita que é casada com o Adilson do Messias.) mas acho que aqui faz pouco sentido isso, mas Isabella Netto, mulher de 33 anos (acho que viver os anos 90 e a primeira década dos anos 2000 conta) dancei o Tchan, assisti MTV e vi nascer Los Hermanos, informações relevantes também, fã de Xena a Princesa Guerreira desde que passava no SBT às 11 da manhã aos domingos, chorei sem entender muito bem a série OC Um Estranho no Paraíso, fui ter celular depois dos 16 anos, usei internet discada, entreguei trabalho escolar em folha de almaço, depois trabalho digitado em disquete e o primeiro disco da Shakira revolucionou minha cabeça.


Não viajo muito, por falta de grana mesmo, não por falta de vontade, parei de comer carne, não porque não acho gostoso, mas por não achar moral a produção de vidas para a manutenção da fome (mas ainda em processos de adaptação e construção disso), sou umbandista (gosto de dizer macumbeira, mas vamos seguir uma certa formalidade por aqui, ou talvez não), filha de Iansã com Xangô, geminiana mas o ascendente é virgem, isso explica a vontade de organizar, mas a incompetência nesse quesito, sou branca, baixinha, gorda, cabelo preto na altura do ombro (isso muda com muita frequência), como toda mulher, tenho todas as inseguranças do mundo com a minha aparência, mas no geral gosto dela.


Me reconheço como uma mulher lésbica, (não que a sexualidade, assim com a vida, é fluída e livre), mas ser lésbica é parte inerente de quem sou, minha afetividade, minha sexualidade é um dos moldes, é um dos percursos importantes que me fizeram chegar aqui, se não fosse lésbica o feminismo teria chego mais tarde, com toda a certeza, se não fosse lésbica minha percepção de empatia teria chego mais tarde, se não fosse lésbica minha leitura crítica do mundo teria chego bem mais tarde.


E estou aqui me apresentando de forma tão simples sincera para te dizer que uma vez por mês vamos nos encontrar, uma vez por mês estarei aqui para falar de amor, de afeto, de vida e de como a política nos AFETA, e como nós mulheres precisamos politizar nossos lugares e como precisamos pedagogizar os ambientes ditos de se fazer política. Sou uma militante, lembrando que militante é diferente de ativista (importante sabermos o nome correto das coisas para entendermos sempre muito bem o que estão querendo dizer, sem ficarmos presos em percepções rasas). Militante se organiza, assume tarefas, responde para a sua organização e tem uma diretriz política que segue, já um ativista tem como seu norteador uma causa em específico. Um ativista dos direitos humanos pode ser um militante organizado, não necessariamente ele é!


Não fui direto ao ponto por achar que distribuir afeto, intimidade, cumplicidade e sinceridade te mostra que estamos exatamente no mesmo lugar, com traumas, medos, inseguranças, vontades, desejos e uma necessidade infinita de afetos! Por isso minha coluna aqui se chama Amor, Política e Afeto, por eu me reconhecer como uma mulher que busca incansavelmente amor, afetos e que entende que isso é um ato político e revolucionário!


Por aqui teremos sempre debates sobre ecossocialismo, sobre feminismo, sobre como a lógica da política institucional é falha, cruel, colonizadora, RACISTA E MACHISTA, como podemos nos articular, vou mostrar minhas percepções e dividir conhecimentos, afetos, medos, vitórias e carregar cada palavra com amor e esperança de esperançar!


Tenhamos Coragem e Sejamos Gentis