• Ivana Brazil

FinDOWNmos 2021 Vivos!

Mais um ano terminando e como de praxe fazemos, pelo menos eu faço, uma breve reflexão de como foi o ano vivenciado.

Nesse caso, dentro da proposta da coluna e do assunto que costumo abordar, lembrando sempre que é a visão de uma irmã de pessoa com Síndrome de Down e não uma especialista no assunto, farei um breve relato de como foi o ano dentro dessa perspectiva para pessoas com Síndrome de Down.

Inicio falando como a pandemia (que não acabou) afetou muito minha irmã, assim como algumas outras pessoas com síndrome de Down que conversamos. Claro, em âmbito planetário, afetou a todos sem exceção. Mas aqui vou falar da Cintia. Durante 2021 (segundo ano da pandemia) tivemos as vacinas e começamos a caminhar a passos lentos a um retorno de muitas coisas rotineiras. A Cintia, depois da segunda dose, começou a encontrar algumas pessoas da família, sempre com todos os protocolos, foi ao salão fazer as unhas e cabelos e agora mais pro final do ano voltou às aulas de dança que tanto ama, inclusive nos próximos dias se apresentará. “Eu voltei para os palcos!” – disse ela. Tudo muito cauteloso, mas fundamental para que ela começasse a se sentir melhor. A Cintia engordou, teve ansiedade, feridas na pele por conta dessa ansiedade, em certos dias mais agitada que o normal, impaciente e potencializou toda essa ansiedade no “tudo no seu lugar e na sua hora” com mais rigor do que o normal. Tá tudo bem! Tá dentro do esperado para esse momento que estamos vivendo.

Nesse momento o que mais a Cintia quer é voltar a trabalhar. O quanto antes. E conversando com o RH da empresa que ela trabalha, descobri que todos os funcionários com Síndrome de Down das outras filiais também querem voltar. Não veem a hora disso acontecer. Eles até podem, mas cabe à família decidir esse retorno. É muito difícil essa decisão, mesmo sendo esse mês a terceira dose da Cíntia, sabemos que uma quarta onda com uma variante bem mais forte já está por aqui. Superproteção ou Bom senso? Realmente não sei.

Finalizamos 2021 felizes por estarmos vivos e com saúde. Sabendo que a luta é contínua. Por mais que tenhamos notícias positivas em relação a pessoa com Síndrome de Down, ainda encontramos grandes obstáculos de ignorância pelo caminho que só atrasam a evolução da humanidade como um todo, principalmente para pessoas com deficiência. Te convido a ler o texto na coluna com o Título Filhos de ETs, oi? Mas seguimos firmes e resistentes. Desejo amor e empatia para todos nós. Boas festas, queridos leitores!