• Além da Cadeira

Editorial #4

A exclusão da inclusão – Parte I


Confuso, né?

Nos próximos Editoriais vamos trazer um tema, de certo modo, espinhoso, mas que não pode ficar fora do debate: A exclusão dentro da inclusão. Convidamos a Najeen Dahu, a alma linda por trás dos textos da coluna Transgressão em Pauta aqui do portal, para fazermos a três 😉 e esta é a primeira parte. Vem com a gente?


É tão triste ver opressão a partir de grupos tão oprimidos na sociedade.

Falando sobre discriminações que já senti na pele, posso falar sobre as seguintes: um grupo radical dentro do feminismo (as radfem), que não aceitam e não querem entender as identidades trans e pessoas trans binárias e que invalidam identidades trans não-binárias.



Vamos lá, as radfem consideram que transgeneridade não existe e taxam as pessoas trans como homens que querem ser mulheres (no caso de mulheres trans e travestis, só por terem pênis e não terem útero ou vagina), como lésbicas que se renderam ao patriarcado, querendo ser homens (no caso de homens trans) e como pessoas confusas (no caso des não-bináries).



No caso das pessoas trans binárias que invalidam pessoas não-binárias, é um caso de reprodução do mesmo tipo de argumento das pessoas cisgênero, que dizem que somos o que nosso órgão genital, cromossomos e características biológicas definem.



Em ambos os casos, é possível notar que grupos historicamente oprimidos estão reproduzindo opressões com outros, somente por não se encaixarem no mesmo padrão em que essas mesmas pessoas foram colocadas e esquecem do princípio de liberdade individual, onde cada pessoa deve ser livre para ser quem e como realmente é. Sem haver muito aprofundamento na questão da liberdade individual, só é necessário que lembremos que cada ser é único.


Mesmo vivendo em sociedade e termos “grupos de afinidade”, ao tentarmos ser como o próximo, tentarmos seguir padrões que não nos cabem e que são contrários à nossa natureza, perdemos as características que nos fazem especiais, cada um à sua maneira. Busquemos sempre entender e, no mínimo, respeitar as diferenças das outras pessoas, lembrando que nossos inimigos em comum são o machismo, o patriarcado e o capitalismo, pois esses, sim, tentam nos obrigar a sermos todes iguais, nos encaixando em lugares que não nos cabem, para isso, aparando as arestas que não lhes são convenientes.



Nunca nos esqueçamos das palavras do ilustríssimo pedagogo e educador, Paulo Freire: “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor” e permitamos que a educação héterocisnormativa que nos foi forçada garganta adentro seja desconstruída e regurgitada para que a liberdade possa aflorar e se expandir sempre.