• Bárbara Barbosa

“Black is beautiful!”

Olá, querides, espero que estejam bem e se cuidando!

Na coluna do mês passado levantei uma discussão sobre autocuidado e saúde médica. Esse mês quero trazer um pouquinho da questão estética da negritude. Bora?


No dia 08/06/2021 a @netademariaa, a @eucamiladeluca e eu fizemos uma live no Instagram para falar sobre transição capilar. O cabelo para pessoas pretas é sempre um ponto-chave na questão estética porque durante MUITO TEMPO e ainda hoje, nossos cabelos foram considerados feios socialmente. Diziam (e essa mentira ainda perdura) que nossos cabelos estão sempre desarrumados, que fedem, que isso nos torna sujos... Não se via beleza no cabelo natural de pessoas pretas e isso era reforçado pela mídia que mantinha 100% das pessoas brancas à frente de seus programas de TV, propagandas, como símbolo de marcas etc. Ainda é assim, mas um pouquinho (beeem pouquinho) menos.


Apesar de sermos maioria, não há representatividade estética suficiente na TV. Não com o tanto de diversidade que temos. Geralmente aparece na TV quem tem a pele mais clara, traços mais próximos dos traços brancos e cabelos não tão crespos.


Os produtos voltados para o público preto começaram a surgir em abundância há menos de 10 anos. Só aí começamos a ser vistos como consumidores. Ainda assim é difícil encontrar maquiagem no tom certo, por exemplo, para peles mais escuras. E não se engane, pretinhe! Não fique dando seu black money ($$) tão suado pra qualquer marca. Investigue, veja se eles realmente se importam com a causa ou se é só mais um empresário branco achando um nicho a mais pra ficar mais rico.


Você já se perguntou por que homens pretos sempre optaram por raspar o cabelo mesmo os que não têm problema de calvície?

E já se perguntou por que as mulheres pretas entendem que alisar o cabelo é a melhor opção mesmo que esses procedimentos estéticos sejam prejudiciais à saúde e possam causar problemas graves?


É racismo que chama, mores! A estética tida como “ideal” é a branca. Se você não é branco precisa usar todo e qualquer artifício para se aproximar da branquitude a qualquer custo. Só que esse é o olhar que nos foi imposto. Antes da colonização, os pretos não se viam feios, pelo contrário. Seus traços e cabelos sempre foram vistos de forma natural, afinal, mesmo na diversidade, todos conviviam sem a referência do branco como a única possibilidade de beleza.


O racismo nos tornou inimigos do espelho. Crescemos nos odiando, evitando a vaidade, ignorando nossa beleza, querendo atingir um padrão inalcançável naturalmente e nos sentindo inferiores. E, afinal, o que é o padrão se somos todos singulares? O racismo até hoje faz com que muita gente como minha mãe se sinta feia, não goste de fotos, não goste da sua imagem porque vê defeito em absolutamente tudo o que se reflete ali. O racismo nos mata física e mentalmente todo dia um pouquinho. Quando não mata de fato, de tiro, de fome...


Apesar dos pesares, de toda dificuldade e luta, seguimos sendo lindos. SIM, somos muito lindos! Nossos corpos, cabelos, nosso jeito, dança, cultura... Black is beautiful! Nunca, JAMAIS, se permita pensar o contrário. Parafraseando a mestra maravilhosa, maior poetisa negra brasileira com a qual temos a honra de dividir o mesmo espaço físico na terra neste tempo, Dona Conceição Evaristo: eles combinaram de nos apagar, nos esconder, nos matar, nós combinamos de resistir e não morrer!

Nós pretos somos lindos!