• Najeen Dahu

Até onde vai a tolerância?

Olá, pessoas maravilindas das internete. Hoje a tia vai falar sobre um assunto muito sério, não que os outros assuntos não sejam, mas é o seguinte:

Até onde nós, pessoas LGBTQIA+, precisamos ser tolerantes, pacientes e ensinar pessoas cis-hétero sobre o que é errado, o que é respeitoso e o que não é bom falar para ume de nós? Então vem com a tia e segue o fio.


“Tia, os hétero-cis precisam aprender para poder respeitar, não é?”

Então, mores, não e sim. Não porque respeito é o mínimo que se deve ter com qualquer ser humano, independentemente da idade, identidade de gênero, sexualidade, etnia etc. Sim porque tenho consciência de que muitas letras da sigla LGBTQIA+ ainda não são muito compreendidas pela maioria das pessoas, porém nada impede que se pergunte como a pessoa prefere ser tratada e outras coisas básicas. Porém vemos muitos casos em que pessoas deliberadamente desrespeitam nossas existências.


Temos alguns exemplos bem recentes do que eu estou dizendo:


Pedro Bial e Ronaldo “Fenômeno” (pode rir??? KKKKKKKKKKKKKKKKKK)

Há pouco menos de duas semanas, no dia 20 de maio, o ex-jogador de futebol Ronaldo """Fenômeno””” participou do programa “Conversa Com Bial”, na Rede Globo, em que relembraram quando o ex-jogador saiu com travestis em 2008, no auge de sua carreira. Até aí, não há problemas, porém o apresentador, que já entrevistou Linn da Quebrada, travesti cantora, que sempre deixou claro que é umA travesti e que apresentou o programa onde houve a participação da primeira mulher trans em um reality show (Ariadna, no BBB11 em 2011), tratou as travestis no masculino e ambos trataram a situação como reflexo do uso de drogas por parte do ex-jogador e pela falta de terapia, marginalizando e tratando o fato como patologia psicológica.


Caio Castro e Rafa Kalimann

No domingo, 30 de maio, a ex-BBB Rafa Kalimann e o ator Caio Castro compartilharam um vídeo com um trecho do Programa Raul Gil em que o pastor Claudio Duarte declara ser contra e achar errado o relacionamento homoafetivo. Após críticas, Rafa Kalimann excluiu o post e pediu desculpas, mas Caio Castro não apagou e ainda postou o seguinte: "Sou a favor do amor entre as pessoas. Mas existem pessoas que não são, existem pessoas que têm suas convicções e seus costumes diferentes. Mas precisamos respeitar."


Patrícia Abravanel

Na terça-feira, 01 de junho, a filha de Silvio Santos, no programa “Vem pra Cá” do SBT, disse, sobre as críticas à Rafa Kalimann e Caio Castro: “Nós, mais velhos e criados por pais conservadores estamos aprendendo e se abrindo, mas podemos concordar em discordar porque temos opiniões diferentes.”


O que esses exemplos têm a ver, tia?

Bem, queridinhes, todos esses exemplos mostram que as pessoas cis-hétero se sentem à vontade para desrespeitar a existência de pessoas LGBTQIA+ sob o pretexto de que ainda não sabem, estão aprendendo e que precisamos ter paciência para ensiná-los.


Então para você não temos que ensinar, tia?

Em partes, maravilindes, é necessário ensinar pessoas que não têm acesso à informação, pessoas periféricas, onde raramente os movimentos sociais chegam, idosos e idosas que tenham dificuldade com tecnologias e internet e, acima de tudo, pessoas que estejam verdadeiramente abertas a aprender.

Pessoas como Pedro Bial, Ronaldo, Caio Castro, Rafa Kalimann e Patrícia Abravanel têm recursos financeiros, acesso a todos os meios de comunicação possíveis e, principalmente cérebro. O que eles não têm são motivos que justifiquem falas carregadas de preconceito, homofobia e transfobia. Pessoas como eles, que são públicas e, até certo ponto, formadoras de opinião não podem alegar ignorância sobre esses assuntos.


Resumindo

Nós, pessoas LGBTQIA+, podemos ensinar, termos paciência e tolerar pequenas falhas no trato conosco. O que nunca toleraremos são os discursos de ódio mascarados de opinião, pedidos de desculpas rasos e sem realmente haver mudança efetiva, e desculpas esfarrapadas de pessoas que têm acesso à informação.

Como disse a atriz, modelo e escritora Dominique Jackson (Elektra, da série Pose): “Não é dizer pra alguém ‘eu te aceito ou te tolero’! Você não tem o poder de me aceitar ou me tolerar, eu tiro isso de você! Você vai me respeitar por quem eu sou! Minha comunidade morre todos os dias(...) por transfobia e homofobia (...) somos todos seres humanos. É sobre inclusão. Eu jamais vou pedir para nenhum de vocês por respeito... Eu vou exigir!”


Por hoje é só, pessoal!

A tia agradece a todes que leram até aqui e, aquelus que ficaram incomodades com algo que eu disse, parem, reflitam e repensem, porque, provavelmente esse texto foi escrito para vocês e nós, LGBTQIA+, não ficaremos mais calades. Para quem quiser aprender sobre algumas letras da sigla, cliquem AQUI e aguardem outros artigos em que falarei mais sobre outras letras.


Beijas da tia e até mais!