• Najeen Dahu

8 de março para todas?


Eeebaaa!!! Chegou o Dia das Mulheres (E já passou também Rsrsrs), 8M, data para lembrar das trabalhadoras queimadas passivamente numa fábrica em Nova York em 1911, comemorar o ser mulher, a feminilidade, exaltar o útero e a vulva!!! Mas espera, isso está certo? 8 de março se limita a isso? Ser mulher é simplesmente ter vulva e útero? Ser bela, feminina e do lar? Ou será que tem algo mais aí? Bora pra um papo massa com a tia sobre o dia 8 de março, os feminismos, transfeminismos e tudo o que envolve o “Ser Mulher”.


Para Começar

Não foi por causa do assassinato em massa de trabalhadoras do setor têxtil que o dia 8 de março foi escolhido como Dia Internacional das Mulheres. Segundo a socióloga Flávia Rios, professora da Universidade Federal do Goiás e coordenadora do Simpósio “Relaciones Raciales y de Género: Identidad, Interseccionalidad y Movimientos Sociales”, o incêndio em Nova York faz parte da história de luta das mulheres, mas como contexto, não como fator único de criação do 8 de março.


“No incêndio, morreram operárias num contexto em que feministas e trabalhadoras faziam forte mobilização pela igualdade na política e por melhores condições de trabalho”, explica Rios.


Mas então, por que ouvimos essa história desde a adolescência? A principal teórica no Brasil a trabalhar o tema do 8 de março é a socióloga Eva Blay, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e coordenadora do USP Mulheres. Blay explica que a criação da data foi motivada “por fortes movimentos de reivindicação política, trabalhista, greves, passeatas e muita perseguição policial”, e não somente pela morte de dezenas de mulheres exploradas pelo capital.


Segundo ela, desvincular o 8 de março, hoje considerado um dia festivo e capitalista – em que patrões e empresas insistem em “presentear” funcionárias com maquiagem, flores e serviços em salões de beleza – da luta de operárias por melhores condições de trabalho, é uma maneira de apagar o protagonismo das mulheres em sua própria história social e política.


A versão mais aceita é que a idealizadora do Dia Internacional da Mulher é a militante Clara Zetkin, segundo Eva Blay, que propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher, sem definir uma data precisa, no II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhague, em 1910.


A proposta de um Dia Internacional da Mulher por Zetkin estabelecia que a data seria um dia de mobilizações de mulheres trabalhadoras em todo o mundo, que abordariam tanto a pauta da questão das mulheres no trabalho, como lutariam pelo sufrágio, o direito ao voto feminino.


Diversas manifestações de trabalhadoras na Europa se seguiram desde a proposta da criação do Dia Internacional da Mulher. Segundo Blay, a manifestação mais famosa aconteceu em 8 de março de 1917, quando operárias russas do setor de tecelagem entraram em greve e pediram apoio aos metalúrgicos.


Essa greve de mulheres teria sido reconhecida por Trotsky como o primeiro momento da Revolução de Outubro, que resultou na Revolução Russa de 1917.


Em 1975, a ONU oficializou o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher por meio de um decreto.


Mas e aí, o que queremos com o Dia Internacional da Mulher?

A resposta é bem simples: A gente quer reconhecimento, igualdade e respeito.


E onde entra o transfeminismo?

Essa pergunta, se tratando do nosso contexto brasileiro é quase redundante, porque o feminismo é um movimento igualitário que luta contra um inimigo da humanidade, o machismo.

O machismo prega a superioridade do gênero masculino em detrimento do gênero feminino e as pessoas trans, tanto transvestigêneres quanto mulheres, homens e não-bináries são vítimas do machismo. Mulheres trans e transvestigêneres são vistas como subversão da masculinidade, pois, segundo es transfóbiques, são homens que apenas querem ser mulheres. Homens trans são vistos como mulheres e que nunca serão homens por não terem pênis e es não-bináries são vistes como pervertides indecises. Logo, transfeminismo é importante também nessa luta contra o machismo.

Por que a diferenciação de transfeminismo, não é tudo feminismo? Sim, é tudo feminismo, mas assim como há diferenças entre o feminismo preto, o feminismo indígena, o feminismo periférico e o feminismo branco e de classe média, há diferença no transfeminismo. Todos lutam contra o machismo, porém a forma de opressão sofrida por cada grupo social é diferente. O feminismo precisa ser interseccional, pois se uma é deixada de lado, todas são deixadas.

Existem grupos fascistas dentro do feminismo, as feministas radicais, também conhecidas como radfem, que lutam para que as mulheres trans e transvestigêneres não sejam reconhecidas como mulheres, pelo simples fato de não terem útero e vulva e homens trans não sejam reconhecidos como homens por terem esses órgãos, como se ser mulher ou homem se restringisse a características biológicas. O Brasil, sendo o país que mais mata pessoas trans no mundo (e o que mais consome pornografia de conteúdo trans, diga-se de passagem), tem esses assassinatos abalizados pelo discurso de ódio das radfem.


Mas então, o que é ser mulher, já que não é ter útero e vulva?

Ser mulher é subjetivo àquelas que se identificam assim. Cada mulher, seja cis ou trans, travesti e transvestigênere dará uma resposta de acordo com sua vivência, sua experiência, suas opressões e tudo o que precisou passar para chegar onde está e poder dizer com orgulho e empoderamento “Sou Mulher!”.


Em Resumo

Precisamos sempre construir um feminismo que olhe por todas as mulheres, as cisgênero, as brancas, as de classe média, as pretas, as periféricas, as PCDs, as trans etc. Porque somos partes de um todo em que, se você não luta por um formato de mulher, você não luta por mulher nenhuma. Sempre lembrando a frase com a qual Simone de Beauvoir abre seu livro O Segundo Sexo:

“Não se nasce mulher, torna-se mulher.”


Por Hoje É Só Pessoal!

A tia agradece a todes que chegaram até aqui. Obrigada por lerem as palavras de uma pessoa que tem muito o que falar e que adora conversar, pesquisar e aprender. Vamos todes juntes desconstruir o que engessaram nas nossas mentes e construirmos uma luta justa, igualitária e para todes! Quaisquer perguntas, sugestões e críticas construtivas, entrem em contato através das minhas redes sociais. Beijas e abraças da tia.