• Alisson Vianna

8 de março

Primeiramente, preciso agradecer ao convite da Camila de Luca, para participar desse maravilhoso portal Além da Cadeira, consequentemente à Barbara Barbosa. A maneira que surgiu o convite foi inusitada. Uma amiga em comum entrou em contato comigo pedindo para falar com a Camila e de repente: Sincronicidade!!! Relato um pouco da minha experiência como pessoa e algumas vivências como homossexual e alguns pontos bem consideráveis em ser um homem preto, que cabe várias discussões e reflexões e descubro uma parceria com a Amanda Leal, nessa coluna PRETOS E PRETAS NO MUNDO ARCO-ÍRIS.


O Além da Cadeira inicia numa data extremamente importante, DIA INTERNACIONAL DA MULHER. Mas o que o Alisson, enquanto homem, deve falar sobre esse dia? Alisson, será que você tem o “poder” de fala? Se a sua coluna fala sobre racismo e homofobia, o que tem a ver com questões feministas?


Se eu debato sobre a igualdade/equidade da minoria (pura ironia, pois sabemos que são a maioria), consigo ser um pouco empático (digo um pouco, pois muitas experiências são subjetivas e apenas quem está na situação consegue entender). Em muitos momentos eu não posso entender, mas lutar junto por uma população que sofre ao longo de muitos anos apenas reivindicando seus direitos, nada mais e nada a menos, igualdade sabe? Creio que as mulheres não querem um mundo à parte, onde apenas existam elas, e sim querem um mundo de respeito onde a fala, o modo de divisão, visão, entre outros sejam iguais para todos. Nesse sentido, nós homens podemos e devemos participar.


Há tempos que eu reflito sobre alguns pontos e quero dividir essas incógnitas com vocês.

Existe uma moda sobre o uso da empatia. Somos realmente empáticos? Olhamos e entendemos a dor do outro? Conseguimos entender o que realmente é ser uma mulher? Entendemos realmente essa luta por igualdade de gênero? Por que existem tantas diferenças entre homens e mulheres na sociedade? As mulheres, a cada dia com a sua força e inteligência, conquistam mais espaços (pensem no sacrifício dessa conquista). Financeiramente falando, por que ainda não têm a mesma remuneração dos homens?


Precisamos definitivamente, descontruir os conceitos culturais, sociais e até mesmo alguns religiosos que diversas vezes colocam muitas mulheres em situações de vulnerabilidade (perigo mesmo, risco à integridade). Registro que, em nenhum momento acho a mulher frágil, pelo contrário, admiro a cada dia a força que existe, pois, ser inserida em uma sociedade machista que impõe sua força é insano para qualquer uma.


Outro ponto importantíssimo que não posso esquecer: ser mulher não é fácil, e ser mulher negra, mulher gay, mulher trans, mulher mãe solo, mulher deficiente, entre outras? A situação é bem mais intensa do que imaginamos. Por isso que, dentro das minhas limitações, para essas maravilhosas que estão lendo esse texto, quero que saibam que podem contar comigo sempre. Coloco-me no meu devido lugar, apenas escutando e tentando dentro das minhas possibilidades entender todas as questões que vocês vêm sofrendo ao longo de muitos anos.

Agradeço imensamente a todas vocês mulheres. Aqui encerro com um texto que achei muito importante e coincide sobre o propósito da luta. Beijos e muito obrigado!!!


Toda mulher já ouviu isso

“Feche as pernas. Sente-se direito. Não fale alto. Tire os cotovelos da mesa. Seja boazinha. Seja paciente. Não seja muito simpática. Não seja chata. Controle seus impulsos. Você provocou. Não saia sozinha. Não viaje sozinha. A culpa é sua. Não seja muito magra. Não seja muito gorda. Não use roupa curta. Não saia de cara lavada. Não use muita maquiagem. Você provocou. Não seja muito extrovertida. Não tenha amigos homens. Não se ofenda com brincadeiras. Não leia muito. Não questione. Não fale tudo o que pensa. Não fique deprimida. A culpa é sua. Trabalhe. Seja independente. Não seja muito independente. Não seja egoísta. Namore. Case. Tenha filhos. Não tenha muitos filhos. A responsabilidade é sua. Cozinhe. Limpe. Lave. Passe. Cuide de tudo e de todos. Aguente firme. Pague as contas. Não reclame. Ignore a TPM. Engula o choro. Agradeça. Sorria e acene. Diga sempre que está tudo bem. Ser mulher em uma sociedade patriarcal e machista ainda é viver com medo e sob pressão.” Geovana Pagel, editora de IstoÉ Dinheiro Online


Referência Bibliográfica:

Planeta IstoÉ 2021 https://www.revistaplaneta.com.br/ser-mulher/ Acesso em 28 de fevereiro de 2021